Desta vez fiquei aqui mesmo no Brasil, minha linda terra com lugares tão incríveis e que preciso ainda conhecer. Fomos para a região da Serra da Canastra, tendo começado em Capitólio e terminado em São Roque de Minas. Foram cerca de 100 km percorridos em 5 dias.
Esta não foi uma marcha comum, tudo muito diferente da anterior. Éramos cerca de 100 pessoas num grupo heterogênio e ecumênico organizado por franciscanos. Esta foi a décima caminhada sob o tema “Para dar graças à Deus”: Demos graças pelo carisma de Francisco e Clara, pelo Dom da Vida, pela Mãe Terra e a Irmã Água, pelos dez anos da Marcha Franciscana e pelo Rio São Francisco.
Partíamos bem cedinho quando o céu ainda estava escuro e as estrelas brilhavam incrivelmente, longe das luzes das cidades. Caravana de peregrinos com lanternas na mão, iluminando o chão de terra e as estradas desertas. Silêncio total por quilômetros até o nascer do sol que era saudado por todos com agradecimentos à Deus que nos concede tanta beleza. Vivenciamos as dádivas que recebemos gratuitamente da Mãe Natureza e que na maioria das vezes não nos damos conta de agradecer. Assistíamos ao nascer do sol como uma bola de fogo e fonte de vida, bebíamos da sua energia e armazenávamos alegria para um dia inteiro. Defronte a uma imensa cachoeira reverenciamos à Irmã Água e entre as pedras assistimos à uma celebração de reverência e louvor. Agradecemos à Deus pelo carisma de Francisco e Clara, tão atuais e presentes em nossos dias, tão verdadeiros e engajados à nossa realidade. Vivemos dias de simplicidade, dormimos no mesmo chão das varandas e galpões, partilhando a mesma mesa e a mesma comida, dividindo, colaborando e nos solidarizando com nossos irmãos. Fomos recebidos em fazendas onde fomos acolhidos com muito amor e simplicidade, alegria e dedicação. Andei de carro de boi, comi muito pão de queijo com café quentinho, torresminho, aipim e carne assada. Cantei muito e dancei pelas ruas das cidades, desfilei com os braços levantados dando graças à Deus, bandeiras desfraldadas e grande animação. Tive medo dos bois na estrada, estranha confrontação entre humanos e animais, cada qual se respeitando e seguindo seus caminhos, mostrando que todos podemos conviver num mundo melhor.
Nesta semana aprendi muitas coisas: respeito, agradecimento, solidariedade, oração, simplicidade, obediência. Descobri que por trás do mundo ruim que assistimos diariamente nos jornais existe um outro onde as pessoas do bem, anômimas, juntam suas mãos em gestos de generosidade e de amor. É preciso conhecê-lo e persistir na esperança de uma vida melhor.